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Marina, um problemaço para o PT

domingo, 6 de outubro de 2013
Marina não é de esquerda. Não bastassem as acusações de “chavismo” ao atual governo, seu fundamentalismo religioso provavelmente a coloca à direita de Aécio Neves. Ambos devem ter o mesmo programa econômico – produzido por inquilinos da Casa das Garças e órfãos de FHC – com uma diferença: até aqui Aécio não fala em ensinar criacionismo nas escolas e nem se coloca contra avanços nos costumes.

Mas essa seguramente é opinião de um setor minoritário da população. Para a maioria, Marina foi ministra do Meio-ambiente de Lula, defende a natureza e saiu do governo por causa da “velha política” (algo tão indefinível quanto “rede sustentabilidade”). Além disso, ela e Eduardo Campos foram ministros e aliados de primeira hora da gestão petista.

Todos integrariam um condomínio político semelhante e representam – aos olhos das maiorias – um racha no campo progressista.

Como diferenciar?
Como se diferenciarão as candidaturas de Dilma e Marina/Eduardo Campos em 2014?

Tudo indica que não será pelo contraste político. A postulante petista não poderá falar que o PSB tem como aliados Bornhausen, Heráclito Fortes e Paulo Skaf, integrantes da fina flor da direita brasileira. A aliança petista com Sarney, Collor, Sérgio Cabral, Blairo Maggi, Paulo Maluf e Katia Abreu (para não falar de Gleici Hoffmann, Paulo Bernardo e José Eduardo Cardozo) deixarão a presidente sem argumentos, se for retrucada à altura.

Zero a zero até aí.

No segundo turno de 2010, Dilma atacou pesadamente seu oponente José Serra, em debate pela TV Bandeirantes. Acusou-o de ser privatista e de planejar vender o pré-sal. Eleita, ela rendeu-se à fúria privatizante – estradas, portos e aeroportos - e quer passar nos cobres parte do pré-sal .

Jogo empatado.

Lula, nesta semana, deu mais uma contribuição à geleia política. Afirmou que o projeto do PT para a Constituição de 1988, “se tivesse sido aprovado, certamente tornaria o país ingovernável”. E detalhou os motivos: “O PT queria um texto mais avançado, contemplando reforma agrária, estabilidade no emprego, imposto sobre fortuna, criação do Ministério da Defesa”. Ou seja, uma plataforma democrática básica, segundo o ex-presidente, tornaria o país “ingovernável”.

É mais menos ou que dizia José Sarney, em 1988, e o empresariado nacional nos anos seguintes

Marquetagem
A diferença em 2014 será também marcada por quem tiver o marqueteiro mais competente (e mais caro). A julgar pelas arrecadações de campanha de três anos atrás, Dilma levará a melhor nesse quesito.

A presidenta poderá alardear os êxitos dos governos petistas em elevar salários e manter a estabilidade da moeda. Mas estará discursando sobre o passado, enquanto campanhas pedem mais. Pedem planos para o futuro.

Eduardo Campos não exibe conteúdo algum em suas falas. Ninguém sabe ao certo o que pensa da vida. Mas sempre que pode, propaga que fará “mais” e “diferente”. Numa campanha esvaziada de demarcações claras, é um começo.

Economia e protestos
Um componente importante da disputa de 2014 estará largamente pautado pelo desempenho da economia e pela volta ou não das manifestações de junho.

Apesar do crescente déficit externo, nada parece indicar uma queda abrupta nas expectativas. Emprego, renda e inflação seguem estáveis. O governo escolheu a senda da contração – através da agressiva política de elevação dos juros básicos – e devemos ter mais um ano de PIB medíocre. Mas não um solavanco, como em 2009.

Uma nova explosão social às portas das eleições (na época da Copa, por exemplo) pode ter efeito devastador para a candidatura oficial. Mas aqui adentramos, por enquanto, no terreno do imponderável.

Saída pela esquerda?
O 1º. vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, em entrevista à Carta Maior, afirmou sobre a candidatura Eduardo Campos (possivelmente extensiva hoje à Marina) que “A minha expectativa é que ele seja uma pontuação à esquerda da candidatura da Dilma. Uma oposição pela esquerda”.

Se for verdade, a postulação Marina/Campos poderá ter algumas consequências importantes na conjuntura eleitoral:

A. Tornará o apoio do PMDB ainda mais vital para o PT. Com isso, teremos uma bolha especulativa no preço do apoio da agremiação de Michel Temer;

B. Pode forçar alguma definição política entre as candidaturas.

C. Mandará para o limbo as pretensões do PSDB e seu candidato.

D. Uma postulação mais à esquerda, com maior nitidez, pode se destacar.

Até aqui, Dilma tem ampla vantagem. O que se desenha agora é um possível segundo turno. Mas há muito tempo pela frente.

Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC. Doutor em história pela Universidade de São Paulo, é autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).
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"Igreja cresceu obcecada pregando contra aborto e casamento gay", condena papa

sexta-feira, 20 de setembro de 2013
papa
 Na primeira longa entrevista em seis meses de papado, o papa Francisco declarou que a Igreja Católica Romana cresceu “obcecada” pregando contra o aborto, casamento gay e contracepção, e que ele escolheu não falar desses assuntos apesar das críticas.
Falando em uma linguagem direta, Francisco mostrou estabelecer um novo tom para a Igreja, ao dizer que esta deveria ser uma “casa para todos” e não uma “capela pequena” focada na doutrina, na ortodoxia e em uma agenda de ensinamentos morais.
“Não é preciso falar sobre esses temas o tempo todo”, disse Jorge Mario Bergoglio ao reverendo Antonio Spadaro, jesuíta e editor chefe de La Civiltà Cattolica, publicação jesuíta cujo conteúdo é rotineiramente aprovado pelo Vaticano. “Os ensinamentos dogmáticos e morais da Igreja não são todos equivalentes. O ministério pastoral da Igreja não pode ser obcecado com a transmissão de uma multidão incoerente de doutrinas a serem impostas insistentemente.”
“Temos de encontrar um novo equilíbrio ou até mesmo o edifício moral da Igreja poderá cair como um castelo de cartas, perdendo o frescor e a fragrância do Evangelho.”
De acordo com o jornal americano The New York Times, a entrevista foi conduzida em italiano ao longo de três encontros no mês de agosto na Casa Santa Marta, alojamento em que ficam os cardeais durante os conclaves.
Foi a primeira vez em que Francisco explicou os comentários que fez sobre homossexualidade em julho, a bordo de um avião, quando voltava para Roma do Rio de Janeiro, onde esteve para a Jornada Mundial da Juventude. “Se um gay procura Deus, quem sou eu para julgar?”, questionou. Na época, a frase provou polêmica e levou muitos a questionarem se ele se referia a gays no sacerdócio, mas nesta entrevista ele se fez claro ao dizer que se referia a homossexuais em geral.
“Uma vez uma pessoa me perguntou, de uma maneira provocativa, se eu aprovava a homossexualidade”, disse o papa ao padre Spadaro. “Eu respondi com outra questão: ‘Diga-me: quando Deus olha para uma pessoa, ele endossa a existência dessa pessoa com amor ou rejeita e condena essa pessoa?’ Devemos sempre considerar a pessoa.”
Além das declarações sobre a visão de Francisco em relação à homossexualidade, a entrevista também serviu apresentar um lado mais humano do pontífice, que disse amar o compositor Mozart, o escritor Fiodor Dostoevsky e o cineasta Federico Fellini, cujo seu filme favorito é La Strada.
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Assange elogia Dilma, pede asilo a militante e condena EUA

sexta-feira, 20 de setembro de 2013
meses enclausurado na embaixada do Equador em Londres, Assange segue o mesmo --pelo menos externamente. Mantém o bom-humor, a crítica contundente aos Estados Unidos, o apelo por ajuda aos parceiros na luta contra governos e grandes corporações e a defesa intransigente da transparência radical para governos e grandes empresas e da privacidade radical para o cidadão. Em outras palavras, o criador do WikiLeaks segue fiel aos mesmos princípios desde que foi preso em 1991 pela polícia de Melborune após invadir uma série de sistemas e era apenas um hacker australiano cabeludo recém-saído da adolescência.
Ontem em São Paulo não foi diferente. Elogiou o cancelamento da visita de Estado que Dilma faria aos EUA, condenou repetidas vezes o esquema mundial de espionagem americano, descartou as redes sociais como motor de mudança social e pediu asilo para Sara Harrisson, jornalista inglesa e ativista do WikiLeaks que ajudou na viagem de Edward Snowden (ex-agente que revelouo esquema de espionagem americano) de Hong Kong para Moscou. A videoconferência foi promovida pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e pela editora Boitempo, que no Brasil lançou Cypherpunks: Liberdade e o futuro da internet, obra de Julian de 2012. Abaixo, algumas das frases (o vídeo ainda não está disponível):

“Dilma tinha mesmo que cancelar a reunião com Obama. Certos atos simbólicos são muito importantes, e ela representa o povo brasileiro... se não tomasse essa ação, seria visto como fraca. Ela tinha que tomar essa decisão, foi um importante ato simbólico, é obrigação dela defender o povo brasileiro.”
“O que é a soberania brasileira? Será que ela vale alguma coisa quando toda comunicação passa pelos Estados Unidos? Isso é soberania?”
“As forças contrárias têm sido maiores do que nunca contra nós. Glenn Greenwald [jornalista que revelou o esquema de espionagem dos EUA a partir das revelações de Edward Snowden] felizmente está no Brasil. Sara Harrisson está em auto-exílio em Moscou, e a presidente Dilma poderia oferecer asilo político a ela. É uma oportunidade para o Brasil pegar a bandeira dos direitos humanos que os EUA deixaram cair.”  [Em outro momento da noite, Assange repetiu o pedido, sublinhando que Sara “já morou no brasil e gosta do país”.]
“Olhe meu caso: sou alvo dos EUA por coisas que fiz fora dos EUA, que também agem no Brasil. Esse tipo de coisa pode levar vocês do Brasil a se perguntar: o que significa um governo que atua fora de sua jurisdição, que faz sua jurisdição valer no estrangeiro?”
Respondendo sobre a proposta do governo brasileiro de exigir que bancos de dados do Google e outras empresas sejam mantidos no Brasil: “Isso não resolveria o problema. É interessante o país querer se proteger, mas essa solução é perigosa. Vocês poderiam passar a ser espionados pelo governo brasileiro, o que poderia ser ainda pior, já que ele está mais perto”. Perguntado sobre qual seria a solução então, Assange respondeu: “A única solução é não coletar dados [dos cidadãos]”.
“98% das comunicações eletrônicas da América Latina, do Brasil inclusive, passam pelos Estados Unidos. Cada um de vocês que se comunica aí no Brasil está inserido nesta estrutura, e isso é muito grave.”
“Por outro lado [a internet e a rede que ela forma] traz possibilidades. Sou um editor australiano, estou exilado em Londres, na embaixada do Equador. E estou neste exato momento falando a uma plateia no Brasil sobre abusos cometidos pelos Estados Unidos. Isso tudo vai produzindo uma espécie de corpo político internacional.”
“Os Estados Unidos espionam de 2 a 8 bilhões de comunicações [telefonemas e-mails etc] por dia. E a cada 18 meses o custo para se fazer esse mesmo monitoramento cai pela metade. Ou seja, com o mesmo orçamento, a cada ano e meio eles dobram a capacidade de vigiar as comunicações no mundo. Mas isso deve ter um fim, se eles continuarem com esse tipo de atitude, acabarão isolados”.
“E tudo isso [a espionagem americana] é feito de uma forma invisível. É um tanto assustador, parece um deus que tudo vê... e você tem que convencer as pessoas de que é o diabo.”
“Barack Obama perseguiu mais jornalistas do que todos os demais presidentes combinados desde a década de 1970. E isso se aplica também aos informantes, às pessoas que vazam informações. E aí não estamos falando só de Manning ou Snowden.”
“O Tor [programa que permite usar a internet de forma anônima] ajuda. Mas se o seu computador for da Apple, não muito, já que ele envia informações suas à empresa a todo instante e, como foi revelado, a Apple faz parte do esquema de espionagem dos Estados Unidos.”
"Não é fácil ficar 500 dias numa embaixada, mas é um luxo, ao contrário de vocês que estão aí eu não posso ser preso. É o lugar mais seguro do mundo para Julian Assange.”
Resposta a uma questão sobre o uso das redes sociais na Primavera Árabe e nos protestos de junho no Brasil: “Como foi revelado, o governo americano acessa os dados do Facebook, mas o Twitter tem ido bem no sentido de defender os direitos dos seus usuários. Mas isso uma hora vai fazer água, afinal eles estão baseados nos EUA... ou seja, você não pode depositar nas redes sociais todos os seus anseios revolucionários ou de avanços sociais.”


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PS do autor: Conheci Sara Harrison em 2011, quando passei 3 dias na casa de campo inglesa em que Assange cumpria prisão domiciliar, e fiz uma reportagem para a revista Trip. Sara é extremamente séria, obstinada e fiel aos princípios do WikiLeaks. Além disso é ótima pessoa e, de fato, adora nosso país. Em um pequeno lobby particular, endosso Julian: Dilma, dê asilo a Sara.
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Desfeita aos EUA era a melhor opção de Dilma

quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O Palácio do Planalto anunciou na tarde desta terça-feira 17 que está cancelada a visita de Estado que a presidenta Dilma Rousseff faria aos Estados Unidos a partir de 23 de outubro. A decisão pode provocar alguma turbulência doméstica, mas o governo brasileiro escolheu a melhor alternativa possível diante do impasse que produziu ao exigir um pedido de desculpas formal por parte de Washington.
A crise atual teve início com a denúncia, feita pelo jornalista Glenn Greenwald e pelo Fantástico, da TV Globo, de que a Agência de Segurança Nacional (a NSA) dos EUA espionou cidadãos, empresas e integrantes do governo brasileiro. Diante do escândalo, o Planalto elevou suas apostas e estabeleceu como condição para a realização da visita um pedido formal de desculpas por parte da Casa Branca.
A aposta era alta pois a exigência feita por Brasília não seria atendida por Washington de forma alguma, como de fato não foi. Barack Obama tentou dissuadir Dilma em conversa realizada na Rússia (durante encontro do G-20) e em um telefonema feito na segunda-feira 16, mas não teve sucesso. Obama não poderia chegar onde o Brasil queria por um simples motivo: para os EUA, não há razão para mostrar arrependimento por uma prática considerada legítima e estratégica.
Cabe lembrar que desde as primeiras revelações feitas pelo ex-NSA Edward Snowden a posição dos EUA não foi alterada. A defesa da espionagem foi mantida até mesmo quando ficou claro que as Nações Unidas e alguns de seus principais aliados europeus também estavam entre os alvos das interceptações. Ao contrário dos países europeus, cuja segurança nacional está entrelaçada com a norte-americana, o Brasil não tem tais amarras e pode, portanto, impor a “desfeita” de cancelar a visita de Estado em represália à espionagem.
É preciso saber, agora, quais serão os efeitos do cancelamento. A nota oficial divulgada pelo Planalto é bastante cuidadosa. Trata o cancelamento como adiamento e afirma que ele foi acertado em conjunto pelos dois presidentes, tendo em vista que uma solução considerada “satisfatória” para o Brasil “ainda não foi alcançada”.
Na prática, o perfil internacional do Brasil deve ser prejudicado. Ao chegar ao poder, Dilma rompeu com um aspecto importante da política externa de Lula, a busca por um papel de protagonista no cenário internacional, independente dos EUA. Dilma tentou remendar as relações com Washington e vinha tendo sucesso na empreitada. A visita de Estado, concedida apenas a parceiros importantes, era uma prova disso. Agora, o Brasil não tem nem uma coisa nem outra – as relações com os EUA tomaram um banho de água gelada e o Brasil que queria liderar o mundo emergente perdeu espaço. Como a crise da espionagem mostrou, há pouca margem de manobra no mundo para um Brasil que viva sob a sombra dos EUA. O melhor caminho, talvez Dilma perceba agora, é manter certa equidistância de Washington e buscar grandeza própria.
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Eduardo Campos põe seu bloco na rua

quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Brasília - O PSB abandonou o Governo Dilma. Entregou seus cargos, que incluem o Ministério da Integração Nacional e a Secretaria dos Portos, além de diretorias na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), e as presidências da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf).

A candidatura de Campos é um assunto, segundo ele mesmo gosta de dizer, que só deve ser discutido no ano que vem. Como se vê, 2014 já começou para Campos faz tempo e só ele ainda não percebeu.

O que pretende o PSB? O plano A é o seguinte: o partido sai do governo DIlma, deixa sua bancada livre para atirar no Congresso, parte em busca de apoios a torto, a direito e à direita nos estados, lança seu candidato, vai para o segundo turno e se conforma como a candidatura anti-Dilma e anti-PT, com o apoio de Marina, Aécio e outros (Serra, por exemplo?). Caso isso não aconteça, entra em ação o plano B: Campos tenta pelo menos uma votação superior a 10%, ajuda a provocar um segundo turno, analisa as chances de cada candidatura, negocia seu apoio em troca de um bom peso no futuro governo e se prepara para 2018.

As dificuldades que terá no caminho são muitas. Ter mais que 10% em uma eleição presidencial não é trivial. Superar Dilma, mesmo no Nordeste, com Lula no palanque adversário, é tarefa árdua e inglória. Sua base de candidatos pode cristianizá-lo já no primeiro turno. Havendo segundo turno, nada garante que seus votos de primeiro turno migrem para seu candidato preferencial.

Para Campos, se houver um segundo turno e ele estiver de fora, o melhor candidato para a sua escolha será aquele que estiver na frente, seja ele quem for. Por isso ele guarda certa distância, mas mantém relações minimamente cordiais com todos: Dilma, Aécio e Marina. Qualquer um dos três pode ganhar seu apoio.

Sua disputa é em dois tempos. Até julho do ano que vem, sua adversária preferencial é Dilma. Ele precisa bater em Dilma para ajudar a provocar um segundo turno. Essa é sua preliminar. Para tanto, precisa puxar os votos dos insatisfeitos com os governos do PT, todos eles. De julho em diante, precisará escolher em quem bater, entre Aécio e Marina, para subir acima dos 10%. Terá que jogar um desses dois para baixo. Invertendo o foco de seus ataques, pode se reposicionar para aliar-se novamente a Dilma em um eventual segundo turno e entrar, em seu possível segundo mandato, pisando sobre o tapete vermelho.

Enquanto isso, precisa rapidamente montar palanques em todos os estados. Aí, a busca por insatisfeitos se aproveita de rachas regionais na oposição. Campos foi a Santa Catarina porque ouviu que Jorge Borhnausen e seu filho, o deputado federal Paulo Bornhausen, estavam insatisfeitos com os rumos do governo de Raimundo Colombo. O velho patriarca dos Bornhausen, que presidiu o PFL e depois o DEM, ajudou a fundar o atual PSD. Mas, quando o PSD nacional se aproximou do governo Dilma, os Bornhausen se aproximaram de Campos. O namoro terminou em casamento, no final de agosto, com a filiação de Paulo Bornhausen.

Em Goiás, o DEM, chefiado pelo ruralista Ronaldo Caiado e rachado com o PSDB, já sinalizou apoio a Campos. A tendência do PSB é exatamente essa. Onde houver insatisfeitos, o partido levará seu ombro amigo e uma ficha de filiação ou uma proposta de coligação.

A partir de agora, começa, em todo o país, uma espécie de efeito dominó da decisão nacional do PSB de abandonar governos do PT. Os diretórios irão reavaliar sua participação nesses governos e buscar uma recomposição de forças estaduais com vistas às eleições de 2014. Devem partir também para cima de setores desgarrados do PMDB.

O líder do partido no Congresso, deputado Beto Albuquerque, recomendou que o PT faça o mesmo: desocupe os cargos nos governos do PSB. Até porque eles agora precisam de vagas para alojar seu dirigentes que sairão do Governo Federal.

Aliado histórico do PT na maioria das eleições presidenciais e em vários governos estaduais, o PSB pela segunda vez alça voo solo (a primeira foi em 2002, com Anthony Garotinho). Se Campos pode se tornar um problema para Dilma, arrisca a ser um pesadelo para Aécio e o PSDB. Tende a roubar votos preciosos dos tucanos entre o eleitorado que rejeita o PT. E pode garfar o apoio de uma parcela importante do empresariado, desfalcando o caixa da campanha de Aécio. São dois ingredientes que, para o PSDB, podem significar um caixão e uma vela preta.

*Antonio Lassance é doutor em ciência política pela UnB.
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Igreja aplica dízimos e ofertas na construção de casas para fiéis que não tem onde morar

quinta-feira, 19 de setembro de 2013
A Igreja Primitiva é descrita na Bíblia como uma comunidade em que todos repartiam seus bens de forma que nenhum fiel ficasse desamparado. Aplicar esse conceito de forma literal nos dias de hoje é algo visto como impossível, mas adotar princípios dessa filosofia, não.

O pastor Fábio Mendonça, líder da Assembleia de Deus Ministério Lagoinha na cidade de Araruama, Rio de Janeiro, e sargento da Polícia Militar da 25ª CIA em Cabo Frio, aplicou princípios da Igreja Primitiva na congregação que dirige.

Atento às necessidades materiais de alguns membros de sua igreja, resolveu reverter a aplicação dos dízimos e ofertas arrecadados na construção de moradias para os fiéis em situação de vulnerabilidade social, sem custos para os beneficiados.

Mendonça afirmou, em entrevista ao jornal O Cidadão, que a ideia surgiu do desejo de prestar assistência às pessoas em dificuldades: “A igreja a princípio se assustou com a ideia, mas eu tinha que ser o primeiro a mostrar que poderia acontecer. Na Polícia Militar eu trabalho com manutenção, usei minha experiência na área no projeto. Por isso, eu mesmo fiquei de frente, inclusive, ajudando a cavar a fundação das casas”.

A iniciativa incomum já recebeu críticas, disse Mendonça: “Alguns pastores me perguntaram se eu não estava ‘arrumando’ muito trabalho. Se Deus pensasse no trabalho que o ser humano dá a Ele em relação à desobediência a seus princípios, não teria feito o mundo. Tudo que fazemos na vida pode nos gerar problemas, você não compra um carro, por exemplo, pensando que o pneu pode furar um dia, mas no benefício que você vai ter com o veículo”, ilustrou.

O trabalho voluntário e o aproveitamento máximo dos materiais foram essenciais para que o desafio se tornasse realidade, de acordo com o pastor: “O maior desafio era não desperdiçar material e economizar com mão de obra. Foram construídas quatro casas em apenas quatro meses, os dízimos e ofertas foram revertidos para a obra. Além de mim, mais três pedreiros ajudaram na realização das construções trabalhando voluntariamente aos finais de semana”.

A congregação possui 200 membros, e com a iniciativa de construir moradias para os fiéis que não tinham onde morar houve mobilização solidária por parte da comunidade. O pastor Fábio Mendonça ressalta que não realizou nenhuma campanha de arrecadação: “Não sou de pedir. Acredito que quando o trabalho é direito, o Espírito Santo se encarrega de mover o coração das pessoas ao desejo de ofertar. E assim foi: um membro doou mil tijolos, outro duas pias…”, disse, revelando que a iniciativa ainda não atendeu as necessidades de todos os membros: “Agora, estamos construindo mais quatro quitinetes, com o desafio de entregá-las até o dia 12 de outubro, pois, hoje temos duas senhoras alojadas na igreja, uma delas está no espaço onde eu atendia, meu gabinete pastoral e a outra na ‘salinha’ das crianças”.

Segundo o pastor, sua iniciativa não tem motivação política: “Se eu estiver fazendo isso na intenção de ser candidato o trabalho é em vão, não tenho interesse político nenhum”.

“As igrejas devem ficar mais atentas à necessidade do povo. Sejam elas materiais ou espirituais. Há igrejas em que a maioria dos membros não possui necessidades financeiras, mas sempre há os que precisam de ajuda espiritual e aqueles que precisam de ajuda material”, alertou o pastor Fábio Mendonça.

Gospel +
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Químico jogado pelos EUA no Vietnã ainda causa dor e sofrimento

quinta-feira, 19 de setembro de 2013
BBC Brasil - Muitas crianças nascem no país com malformação congênita, resultado da contaminação que o país sofreu por agente laranja.

A substância química foi jogada por Forças Americanas no solo para destruir plantações agrícolas e desfolhar florestas usadas como esconderijo pelos inimigos, mas acabou causando danos e contaminação que duram até hoje.

A Cruz Vermelha diz que 150 mil casos de malformação congênita estão ligados à substância. Os Estados Unidos contestam esses números.

O programa Inside Out, da BBC, acompanhou o trabalho de uma equipe de cirurgiões de Londres que foram para a região de Da Nang realizar plásticas em crianças que ainda hoje nascem com defeitos decorrentes do químico.

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